2º Festival Florescer

Realizaremos o 2º Festival Florescer!!!!

Os convites estarão  a venda a partir do dia 22/06, em nossa escola FLORESCER JARDIM DE INFÂNCIA WALDORF  ou através das  famílias de nossa escola.

Venham realizar um delicioso piquenique em família  e vivenciar juntos com seus filhos atrações  de qualidade.

A ação social também estará presente neste Festival , doando1 pct de macarrão no momento da compra do seu convite você irá  ajudar ao Fundo Social de Botucatu.

Convites:

Adulto $5,00 + 1 pct de macarrão

criança $2,50 + 1 pct de macarrão

Jardim Florescer 3815-5648

rua capitão Andrade, 519, Bairro Alto

2º Festival Florescer

Dica de livro por Casinha das Letras “Jardim das Brincadeiras”

O livro “Jardim das Brincadeiras” (disponível para download no link), de Guilherme Blauth, é puro encantamento e faz uma reflexão profunda sobre o brincar e o consumo, inspirando brincadeiras simples, com elementos da natureza:

“São inúmeros os estímulos prontos, os brinquedos com ‘grife’,
que vendem os personagens onipresentes e descartáveis dos desenhos
animados de grandes estúdios, tudo devidamente made in
china, para ser consumido com voracidade: bonecos, videogames,
barbies, monstros, kits de beleza, super heróis, bancos imobiliários.

As crianças – e elas necessitam novidades – enjoam muito rapidamente
dos brinquedos de plástico da indústria, que, seguindo
a lógica da obsolescência programada, duram pouco, quebram
facilmente. Grande parte destes brinquedos convencionais possui
pilhas ou baterias e irão tornar-se dejetos em breve. O pueril brinquedinho
se transforma em lixo tóxico.”

JARDIMDASBRINCADEIRAS.FILES.WORDPRESS.COM

Semana Mundial do Brincar

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Botucatu  também participa da Semana Mundial do Brincar, 24 a 30 de maio.

Aqui será dia 31 de maio; afinal brincar  deveria ser todo dia, juntos Jardim Florescer, Casinha das Letras, Aliança pela Infância  e Fundo Social de Solidariedade de Botucatu, pelo direito  de brincar, pelo  direito  de ser  criança  e ainda pela possibilidade  de despertar  nas famílias aquela “criança” que  muitas vezes está adormecida no adulto.

O desenvolvimento da resilência durante a infância – via Aliança pela Infância

Aliança pela Infância

O desenvolvimento da resiliência durante a infância

 Médico e pesquisador Ricardo Ghelman discute aspectos essenciais para o desenvolvimento da resiliência.

Entrevista por Fernanda Ortega sobre o tema da Semana Mundial do Brincar “Para ter criatividade, resiliência e coragem é preciso brincar!”

Ricardo Ghelman – pesquisador, pediatra e médico da família, especialista em oncologia pediátrica e em medicina antroposófica – aborda, em entrevista para a Aliança pela Infância, o desenvolvimento da resiliência durante a infância e critica o modelo pedagógico predominante na educação básica atual.


Médico e pesquisador Ricardo Ghelman (reprodução de namu.com.br)

Como você define resiliência?
Defino resiliência como uma capacidade de enfrentar criativamente a vida, especialmente situações de estresse. A questão é como a pessoa lida, no dia a dia, com os seus desafios. Uma pessoa bem compreensiva, que veja sentido no que está acontecendo, é alguém com maior resiliência, uma pessoa mimada pode se tornar pouco resiliente, por exemplo.

Qual é a importância de desenvolver a resiliência durante a infância?
Só se desenvolve a resiliência durante a infância, que, para mim, é o período de 0 até 21 anos de idade. Resiliência é uma construção até a vida adulta.

E como você caracteriza a infância?
Caracterizo a infância como três infâncias, cada uma é responsável por desenvolver uma das três áreas da psique humana. A primeira infância, de 0 a 7 anos, desenvolve a área motora, comportamental, de fantasia. A segunda infância, que vai dos 7 anos até a puberdade, é mais afetiva. É o período que se desenvolve a inteligência emocional, que é um dos aspectos fundamentais da resiliência. Durante a terceira infância, que corresponde à entrada no Ensino Médio até a faculdade, desenvolve-se absurdamente o lado cognitivo: a capacidade de compreensão.

Como é possível contribuir para o desenvolvimento da resiliência na criança?
Um dos aspectos da resiliência é a personalidade inata da criança. Tem criança que nasce com uma tendência a ser mais resiliente que outra. Isso não dá para educar, é uma pré-condição, não podemos fazer nada a respeito. A genética influencia a personalidade, mas a natureza da criança – que é o aspecto existencial do ser humano – transcende a genética. Essa natureza é a individualidade da criança. Defino esse aspecto existencial, espiritual ou da individualidade do ser humano, como aquilo que diferencia dois irmãos gêmeos univitelinos com a mesma genética. Sou um exemplo clássico, porque tenho um irmão gêmeo univitelino. É a mesma genética, mesmo pai, mesma mãe, mesma educação, mas são duas pessoas diferentes. Isso rompe completamente com a ideia de que o ser humano seria resultado apenas da genética e do meio ambiente. Há também uma outra personalidade, que é desenvolvida por influência ambiental. Essa é a personalidade educável, que tem a ver com cultura.

“Um adulto travado emocionalmente, pode ter certeza, teve dificuldades na segunda infância”

E o que é possível desenvolver durante a infância para que a pessoa se torne mais resiliente, independentemente de sua personalidade inata?
A resiliência envolve três inteligências: a inteligência comportamental – relacionada à força de vontade e à ação no mundo -, a inteligência emocional e a inteligência cognitiva – que tem a ver com QI, Quociente de Inteligência. É preciso passar por toda infância para desenvolver todas essas inteligências. A primeira inteligência, que tem a ver com a primeira infância – de 0 a 7 anos – dá capacidade de manuseio da vida: saber enfrentar situações e buscar ajuda. A inteligência emocional, ligada à segunda infância, dá significado e sentido às coisas. A terceira inteligência dá capacidade de compreender o mundo. São essas três inteligências que tornam as pessoas inteiramente resilientes.

As três infâncias desenvolvem as três inteligências, mas o lado cognitivo da criança pequena é muito pequeno se comparado o lado cognitivo de um rapaz de 15 anos de idade. O aspecto afetivo é muito forte aos 8, 9, 10 anos de idade, muito mais forte do que quando a criança tem 5 anos e depois quando ela tem 16. Então, um adulto travado emocionalmente, pode ter certeza, teve dificuldades na segunda infância.

Um adulto resiliente é uma pessoa bem formada nos três âmbitos de inteligência, nas três infâncias. Com isso, é possível enfrentar as situações da vida e não ficar mal. Ficar mal significa entrar em conflito por não saber lidar com recursos criativos, nem compreender as coisas, nem ter força de vontade. Essa pessoa fica estressada e adoece. Isso interfere na felicidade e na saúde.

“O grande canal dos professores é a arte, que é um caminho para os sentimentos”.

Que tipo de dificuldade durante a segunda infância tornaria uma pessoa travada?
A experiência de pais muito racionais que educam sem poder falar de sentimentos. O modelo mais tradicional de pais no mundo moderno ocidental é de pais muito inteligentes e sedentários, que, na primeira infância, não brincam com a criança e a deixam na realidade virtual, na televisão e no videogame. Na segunda infância, que é um período afetivo, eles têm dificuldade de falar de sentimentos e repreendem as crianças. Na terceira infância, eles querem explicar o mundo para as crianças, mas elas não são amigas deles. Então, um adulto travado pode ter tido pais que não sabem lidar com sentimentos.

Os professores podem ajudar a combater esse travamento?
O grande canal dos professores é a arte, que é um caminho para os sentimentos. A criança se expressa em pintura e em desenho, por exemplo. Uma criança com câncer não consegue falar sobre a morte, mas ela consegue fazer desenhos sobre a morte.

Isso acontece em todas as três infâncias que você citou mais cedo?
Em todas as infâncias, mas especialmente dos 5 anos e até a puberdade, que é a época que começa a desabrochar sentimentos de amor e ódio em relação ao mundo. O lado artístico aqui é fundamental. Na primeira infância, a arte é uma brincadeira, a criança pinta brincando. Aos 7 anos, a criança tem a parte motora desenvolvida de tal forma que pode aprender um instrumento musical. Nesse momento, a criança tem habilidade para expressar o que está pensando. Até sete anos, a criança não consegue fazer nenhum esporte ou arte direito, ela precisa ter experiências bem livres.

“Os nomes das coisas podem aparecer, mas o objetivo não é que a criança se torne uma nomeadora de coisas”.

O que é mais importante, na primeira infância (de 0 a 7 anos), para a criança desenvolver a resiliência, tendo em vista que durante essa etapa da vida ela desenvolve especialmente a motricidade a partir do brincar?
De 0 até 7 anos, a criança desenvolve principalmente os membros e a barriga. Ela come e dorme muito. As funções vegetativas são muito importantes. Quando a criança está acordada, a consciência dela não é racional. A pior coisa que os pais podem fazer nessa época é conceituar o mundo para a criança perguntando: “Filho, isso é um triângulo?”, “Filho, isso é cor vermelha?”, “Filho, o que é isso? É uma girafa?” Essa é a época da criança fantasiar. Os nomes das coisas podem aparecer, mas o objetivo não é que a criança se torne uma nomeadora de coisas. Isso quebra com a criatividade dela.

“É fundamental desenvolver a percepção na primeira infância.”

Qual o problema de nomear as coisas para as crianças nesse período da vida?
Imagina se toda vez que uma criança vê um ser humano ela diz: “isso é um ser humano”. Se isso acontece, ela nunca vai poder perceber a singularidade de um ser humano. A mesma coisa acontece com as borboletas. A criança precisa ver que uma borboleta não é igual a outra, porque tem um azul especial, por exemplo. Se a criança adere ao conceito “borboleta”, ela nunca vai distinguir uma borboleta da outra. O mundo dela vai virar pastel, ela vai chamar as coisas de leão, borboleta e casinha.

É fundamental desenvolver a percepção na primeira infância. Os sentidos são uma experiência que não tem a ver com conceitos. Pais muito classificatórios têm filhos muito classificatórios.

“Você quer entrar no mundo do seu filho ou quer que ele entre no seu mundo?”

Como não ser classificatório com a criança?
Você precisa entrar no mundo da criança. Por exemplo, uma criança de quatro anos pode, com a imaginação, entrar dentro de uma casinha de brinquedo e inventar uma história. Uma criança de 8 anos vai abrir a casinha no meio para ver do que é feita. Um adulto, para não ser classificatório, teria que entrar no mundo da fantasia, entrar na casinha também e inventar uma história. Quando um adulto está com uma criança pequena, ele tem que deixar de ser adulto e entrar no mundo da criança para poder dialogar.

A grande questão a se fazer para os pais é: “você quer entrar no mundo do seu filho ou quer que ele entre no seu mundo?”. Se a opção for a segunda, a criança vai virar um adultinho. Se você veste a camisa do seu filho, senta no chão, brinca junto e entra numa fantasia de horas e horas, ele fica muito mais feliz. O adultinho tem medo porque sabe tudo o que acontece acompanhando o noticiário do Jornal Nacional. Ele sabe dos perigos e fica antenadíssimo. Quando o pai entra no mundo da criança, ele rejuvenesce e fica mais feliz. Então, não classificar é sair do nosso mundo adulto, racional, pouco motor e pouco artista. Entender o desenvolvimento infantil é desacelerar um pouco e entrar no mundo da criança. É um desafio.

Existiria um passo a passo para os pais seguirem com seus filhos para que eles se tornem adultos resilientes?
Um adulto bem desenvolvido tem bastante capacidade criativa. Um adulto que teve, durante a infância, um impedimento de desenvolver seu lado criativo – que estudou, por exemplo, numa escola muito cognitivista e teve pais muito intelectuais -, não consegue brincar com a criança.

Não existe passo a passo, nem fórmulas, existe a compreensão do que deve ser desenvolvido durante a infância e do que o adulto deve ter para lidar com a infância. Se o adulto, por exemplo, tiver enorme dificuldade com matemática, ele vai lidar muito mal com o filho quando ele entrar no Ensino Médio: esse é o momento em que o filho entra no mundo da lógica, mas o pai não é lógico, não sabe ganhar dinheiro, só sabe criar. Então, esse pai brinca muito com o filho na primeira infância, mas, quando o filho virar mais racional, esse pai vai falar “filho, eu não te entendo”. Então, precisamos fugir das fórmulas.

Uma escola Waldorf privilegia muito o brincar e a arte, mas pode ter dificuldade de lidar com a racionalidade. Claro que isso depende da escola Waldorf. A maioria das escolas no Brasil são cognitivistas, bem conceituais. Nelas, a arte é apenas uma pincelada no currículo. Se os pais colocarem seus filhos nestas escolas, eles precisam se preocupar em desenvolver mais o lado artístico fora de sala de aula.

“A gente educa o que a gente é”.

Que trabalho é possível fazer com os pais para conscientiza-los sobre estas questões?
É importante perguntarmos para os pais: “você brinca?”, “Como está o convívio com os seus amigos?”, “Você só está focado em trabalho?”. Se os pais não tiverem amigos, eles não conseguem ensinar muito o filho a brincar, porque eles não brincam com ninguém.

Há esse lado motor, lúdico, de encontro pessoal, de saber conviver socialmente. Isso tudo é muito importante para os pais saberem conviver com o filho. Pais bem formados educam bem os seus filhos. A gente educa o que a gente é.

Para você, como seria uma educação escolar ideal para que a criança desenvolva a resiliência?
O ideal seria uma salada mista ou um suco misto dos modelos pedagógicos existentes para pegar o melhor de cada um. Não posso defender um métodos pedagógico, só posso dizer que o modelo cognitivista – que é o modelo das escolas tradicionais, baseadas em conceitos – leva à evasão escolar e a uma falta de vontade de aprender. Por que aprender o nome em latim de todos os dinossauros no século XXI? Isso significa sair da realidade e ir para um mundo pré-histórico em que nenhum homem viveu. Hoje, as pessoas querem saber um monte de coisas que não tem a ver com a realidade. Isso gera um grande distanciamento social.

É importante permitir que as crianças tenham experiências: ter contato com a natureza, observar o mundo e aprender por dedução. Há várias escolas que favorecem isso, como as escolas construtivistas, as escolas Waldorf, a escola da Ponte, entre outras. Esses são movimentos de contracultura ao cognitivismo.

“Só pensamos em mudar algo se estamos insatisfeitos”.

Como você acha que seria possível conscientizar o poder público, que em geral deixa a educação de base tão de lado, da importância de um modelo menos cognitivista, menos tradicional, e que trabalhe mais o brincar e a arte?
Um dos pontos fundamentais para influenciar o poder público é embasar essas questões tecnicamente a partir da neurociência. A neurociência mostra que o aprendizado não é só conceitual, o aprendizado envolve o corpo inteiro. A força de vontade – inclusive de aprender – está muito relacionada a neurotransmissores que estão no intestino e são estimulados muito na primeira infância (de 0 a 7 anos) por ritmos, movimentos e brincadeiras. Esse embasamento comprova que uma educação menos cognitivista não é uma ideia de hippies ou de um grupo louco. De outro lado, é importante fazer uma análise crítica do modelo atual. Só pensamos em mudar algo se estamos insatisfeitos.

“A proposta pedagógica não é que se tenha bom caráter, a proposta é formar uma pessoa inteligente para passar no vestibular”.

Qual a crítica que você faz ao modelo de educação atual?
O modelo atual é cognitivista. Quando um pai educa um filho, o que ele quer? Quer que se torne uma pessoa boa? Que tenha senso estético? Ou que seja inteligente? Ele quer que seu filho seja inteligente, esse é o valor da sociedade hoje. A proposta pedagógica não é que se tenha bom caráter, a proposta é formar uma pessoa inteligente para passar no vestibular.

Outro aspecto presente na escola tradicional é o de avaliar e comparar pessoas com notas. Existe a meta de se tornar um ótimo aluno. O modelo hoje forma pessoas inteligentes e competitivas. O que seria um jovem bem-sucedido aos 26 anos? Seria um empresário, ambicioso, que consegue fazer parte da sua formação nos Estados Unidos, mas que não necessariamente vai ter um bom relacionamento humano com as pessoas. Imagine se todo mundo quer se tornar o primeiro aluno da turma desde os sete anos de idade: é a guerra de todos contra todos. Então, temos que analisar qual é a consequência do ensino de hoje e pensar em modelos mais cooperativos e mais integradores. A escola precisa formar pessoas mais humanas.

Além disso, hoje em dia, muitas escolas pensam que o que é moderno é simplesmente colocar computadores para o alunos. Não sou contra o computador, ele pode ser uma ótima ferramenta de aprendizado, mas ele vem de um modelo que privilegia o lado cognitivo. Então, na mesma hora que se coloca o computador na escola, deveria ter aumento na carga horária de artes. O computador gera sedentarismo nas crianças. Tem estudos que mostram que crianças mais alérgicas têm tendência a piorar com falta atividades motoras e físicas. Então, esse modelo sedentarista muda, por exemplo, a constituição imunológica da criança e deixa a criança mais alérgica. As crianças alérgicas precisam suar.

Imagine que toda grade curricular escolar da infância fosse um cardápio de alimentação para tornar um adulto informado. O lado conceitual seria a carne e o lado artístico e motor seriam carboidratos, sementes, fibras e brotos. Hoje em dia, a alimentação básica escolar, fazendo um paralelo, privilegiaria a carne. A carne seria o prato principal e constituiria 70% da alimentação, sendo 30% perfumaria com poucas aulas de educação física e artes. Nessa grade curricular, os conceitos são privilegiados para que a criança chegue no Ensino Médio, passe no vestibular e, em seguida, esqueça tudo. Numa dieta ideal, quanto seria o ideal de carne? Seria 30% de carne, 70% deveria ser carboidrato e outros elementos com oleogenosas, que são gorduras com qualidade. Isso é a alimentação ideal. Existe uma inversão na alimentação e o mesmo acontece na educação escolar.

“Cada uma fica em sua casa assistindo televisão”.

Nesse contexto, qual é a importância de resgatar a importância do brincar?
Valorizo a política do brincar da Aliança pela Infância, por exemplo, porque o brincar é um antídoto contra o excesso de cognitivismo. Uma criança educada por pais muito intelectuais não sabe brincar. Eu vejo isso no consultório todos os dias. São crianças que não conseguem se desligar da conversa do pai com o médico e não conseguem entrar na brincadeira. Isso acontece porque a criança está em um ambiente alerta e intelectual. Estamos vivendo uma crise de infelicidade na infância. Uma criança que não consegue entrar nesse mundo da fantasia não é feliz. Ela é assustada e tem medo. É isso que a gente está formando hoje em dia.

Isso é supertriste. O que é modelo de uma criança feliz? É uma criança correndo, na natureza, rindo, com outras crianças junto, empinando uma pipa. Mas as crianças não têm um espaço público lúdico para brincar. Cada uma fica em sua casa assistindo televisão.

Aliança pela Infância – alianca@aliancapelainfancia.org.br
Tels.: 55 11 3578-5001 / 3578-5004 / 3259-5498 / 3214-5456
Rua Itambé, 341 – Casa 13 – Higienópolis – São Paulo-SP – Brasil – 01239-001

“Estímulos demais, concentração de menos”

Estímulo demais, concentração de menos. Estamos enlouquecendo nossas crianças

por Fabiana Vajman | 28/04/2015

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Photo Credit: Morguefile

Vivemos tempos frenéticos. A cada década que passa o modo de vida de dez anos atrás parece ficar mais distante: dez anos viraram trinta, e logo teremos a sensação de ter se passado cinquenta anos a cada cinco. E o mundo infantil foi atingido em cheio por essas mudanças: já não se educa (ou brinca, alimenta, veste, entretém, cuida, consola, protege, ampara e satisfaz) crianças como antigamente:

  • O iPad, por exemplo, já é companheiro imprescindível nas refeições de milhares de crianças;
  • Em muitas casas a(s) TV(s) fica(m) ligada(s) o tempo todo na programação infantil– naqueles canais cujo volume aumenta consideravelmente durante os comerciais – mesmo quando elas estão comendo com o iPad  à mesa;
  • Muitas e muitas crianças têm atividades extra curriculares pelo menos três vezes por semana, algumas somam mais de 50 horas semanais de atividades, entre escola, cursos, esportes e reforços escolares.
  • Existe em quase todas as casas uma profusão de brinquedos, aparelhos, recursos e pessoas disponíveis o tempo todo para garantir que a criança “aprenda coisas” e não “morra de tédio”;
  • As pré escolas têm o mesmo método de ensino dos cursos pré vestibulares. 

Tudo está sendo feito para que, no final, possamos ocupar, aproveitar, espremer, sugar, potencializar, otimizar e, finalmente, capitalizar todo o tempo disponível para impor às nossas crianças uma preparação praticamente militar, visando seu “sucesso”. O ar nas casas onde essa preocupação é latente chega a ser denso, tamanha a pressão que as crianças sofrem por desenvolver uma boa competitividade.

Porém, o excesso de estímulos sonoros, visuais, físicos e informativos impedem que a criança organize seus pensamentos e atitudes, de verdade: fica tudo muito confuso e nebuloso, e as próprias informações se misturam fazendo com que a criança mal saiba descrever o que acabou de ouvir, ver ou fazer.

Além disso, aptidões que devem ser estimuladas estão sendo deixadas de lado:

  • crianças não sabem conversar
  • não olham nos olhos de seus interlocutores
  • não conseguem focar em uma brincadeira ou atividade de cada vez (na verdade a maioria sequer sabe brincar sem a orientação de um adulto!)
  • não conseguem ler um livro, por menor que seja.
  • não aceitam regras
  • não sabem o que é autoridade.
  • pior e principalmente: não sabem esperar.

Todas essas qualidades são fundamentais na construção de um ser humano íntegroindependente e pleno, e devem ser aprendidas em casa, em suas rotinas.

Precisamos pausar. Parar e olhar em volta. Colocar a mão na consciência, tirá-la um pouco da carteira, do telefone e do volante: estamos enlouquecendo nossas crianças, e as estamos impedindo de entender e saber lidar com seus tempos, seus desejos, suas qualidades e talentos. Estamos roubando o tempo precioso que nossos filhos tanto precisam para processar a quantidade enorme de informações e estímulos que nós e o mundo estamos lhes dando.

Calma, gente. Muita calma. Não corramos para cima da criança com um iPad na mão a cada vez que ela reclama ou achamos que ela está sofrendo de “tédio”. Não obriguemos a babá a ter um repertório mágico, que nem mesmo palhaços profissionais têm, para manter a criança entretida o tempo todo. O “tédio” nada mais é que a oportunidade de estarmos em contato conosco, de estimular o pensamento, a fantasia e a concentração.

Um lindo texto da cientista que virou mãe que postei na minha página recentemente fala disso com até mais propriedade que eu, embora ela creia que o mundo tá sofrendo de adultismo enquanto eu acredito fundamentalmente que sofremos de infantolatria. Mesmo discordante, sugiro a leitura, essa moça pensa a fundo antes de sair postando. E sugiro também que leiamos todos, pais ou não, “O Ócio Criativo” de Domenico di Masi, para que entendamos a importância do uso consciente do nosso tempo.

E já que resvalamos o assunto para a leitura: nossas crianças não leem mais. Muitos livros infantis estão disponíveis para tablets e iPads, cuja resposta é imediata ao menor estímulo e descaracteriza a principal função do livro: parar para ler, para fazer a mente respirar, aprender a juntar uma palavra com outra, paulatinamente formando frases e sentenças, e, finalmente, concluir um raciocínio ou uma estória.

Cerquem suas crianças de livros e leiam com elas, por amor. Deixem que se esparramem em almofadas e façam sua imaginação voar. O clima da casa também agradece,

Amor e gratidão

MÃES MÁS

Dr. Carlos Hecktheuer – Medico Psiquiatra.

Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:

– Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e que horas regressarão.

Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silencio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: “Nos pegamos isto ontem e queríamos pagar”.

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lagrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci… Porque no final vocês venceram também!

E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhe dizer: “Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo…”

– As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas. As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, legumes e frutas. E ela no obrigava jantar a mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus comerem vendo televisão.

Ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (tocava nosso celular de madrugada e “fuçava” nos nossos e-mails). Era quase uma prisão.

Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com ele. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela “violava as leis do trabalho infantil”. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruéis. Acho que ela nem dormia a noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.

Ela insistia sempre conosco para lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, ela conseguia a ter ler nossos pensamentos.

A nossa vida era mesmo chata. Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos, tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer. Enquanto todos podiam voltar tarde à noite, com 12 anos, tivemos que espera os 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).

Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência: nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime. FOI TUDO POR CAUSA DELA. Agora que somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos “PAIS MAUS”, como minha mãe foi. EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS.

Assim comemoramos a Páscoa com as famílias da escola

Muito acham que a Páscoa  é só o Domingo de Páscoa, ou que ela acaba no Domingo de Páscoa (afinal desde o carnaval  temos ovos de chocolate em todos os lugares  e propagandas  sem fim), mas na verdade a Páscoa começa no Domingo de Páscoa(05 de abril)  e vai ainda por mais 40 dias (14 de maio) .

Desta  forma resolvemos acordar mais este momento na consciência das famílias da escola e continuar comemorando a Páscoa por todos os seus 40 dias, fazendo junto com eles uma árvore  de ovos, onde a família  em casa junto com  os filhos, decora ovos  e depois vem para escola e  os pendura.

O resultado esta sendo muito melhor do que imaginávamos, pois  as famílias estão se aproximando muito dos filhos preparando estes ovos e estão gostando muito de fazê-los, podendo comemorar assim a VIDA, a vida em família, a vida com o outro, a vida compartilhada, a vida  pelo simples fato de  acordar e poder abraçar novamente  sua família.

Que a Páscoa  possa ser comemorada  com o coração cheio de alegria como estamos fazendo aqui na Florescer  e agora divido com vocês  como  está ficando nossa árvore;

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Começo da 3ªsemana:

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Parecendo estar feliz com tanta beleza, até suas flores  começam a abrir:

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Enviarei  mais fotos das próximas semanas  para que acompanhem  nossa “Páscoa” e se você quiser participar, é só decorar um ovo  com sua família  e vir até aqui  na Florescer para pendurar seu ovo  e  comemorar a VIDA.

Ensinem os filhos a Falhar

Ensinem os filhos a falhar

Jean-Pierre Lebrun (Fronteiras do Pensamento)

Jean-Pierre Lebrun (Fronteiras do Pensamento)

“… O processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro.” – Jean-Pierre Lebrun

Nos últimos 30 anos, a ideia dos pais como senhores do destino dos filhos vem desabando progressivamente. As consequências disso não são necessariamente ruins, como explica o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, uma das principais referências na Europa no estudo sobre mudanças nas relações entre pais e filhos. Mas, para tanto, é preciso aprender a negociar com os filhos mantendo a autoridade. Leia abaixo os principais trechos da entrevista que Lebrun concedeu à revista Veja quando no Brasil para o 3º Encontro Franco-Brasileiro de Psicanálise e Direito.

Por que os pais hoje têm tanta dificuldade de controlar seus filhos?
Jean-Pierre Lebrun:
Isso é reflexo da perda de legitimidade. Até pouco tempo atrás, a sociedade era hierarquizada, de forma que havia sempre um único lugar de destaque. Ele podia ser ocupado por Deus, ou pelo papa, ou pelo pai, ou pelo chefe. Isso foi se desfazendo progressivamente, e o processo se acentuou nos últimos trinta anos. Hoje, a organização social não está mais constituída como pirâmide, mas como rede. E, na rede, não existe mais esse lugar diferente, que era reconhecido espontaneamente como tal e que conferia autoridade aos pais. As dificuldades para impor limites se acentuaram, causando grande apreensão nas pessoas quanto ao futuro de seus filhos.

Existe uma fórmula para evitar que os filhos sigam por um caminho errado?
Jean-Pierre Lebrun:
É preciso ensiná-los a falhar. Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente. Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram os filhos. É inescapável errar. Todo mundo, em algum momento, vai passar por isso. Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo. Às vezes é preciso lembrar coisas muito simples que as pessoas parecem ter esquecido completamente. Estamos como que dopados. Os pais sabem que as crianças não ficarão com eles a vida inteira, que não vão conseguir tudo o que sonharam, que vão estabelecer ligações sociais e afetivas que, por vezes, lhes farão mal, mas tentam agir como se não soubessem disso. Hoje os filhos se tornaram um indicador do sucesso dos pais. Isso é perigoso, porque cada um tem a sua vida. Não é justo que, além de carregarem o peso das próprias dificuldades, os filhos também tenham de suportar a angústia de falhar em relação à expectativa depositada neles.

Falando concretamente, como é possível perceber essa diferença no comportamento das famílias hoje?
Jean-Pierre Lebrun:
A mudança é visível. Na Europa, por exemplo, quando um professor dá nota baixa a um aluno, é certo que os pais vão aparecer na escola no dia seguinte para reclamar com ele. Há vinte, trinta anos, era o aluno que tinha de dar satisfações aos pais diante do professor. É uma completa inversão. Posso citar outro exemplo. Desde sempre, quando se levam os filhos pela primeira vez à escola, eles choram. Hoje em dia, normalmente são os pais que choram. A cena é comum. É como se esses pais tivessem continuado crianças. Isso acontece porque eles não são capazes de se apresentar como a geração acima da dos filhos. É uma consequência desse novo arranjo social, em que os papéis estão organizados de forma mais horizontal.

Como o senhor avalia essa mudança? Esse novo arranjo é pior do que o anterior?
Jean-Pierre Lebrun:
Hoje os pais precisam discutir tudo, negociar o que antes eram ordens definitivas. E isso não é necessariamente algo negativo, desde que fique claro que, depois de negociar, discutir, trocar ideias, quem decide são os pais.

Essas mudanças na estrutura social podem influenciar em aspectos negativos como, por exemplo, o uso abusivo de drogas?
Jean-Pierre Lebrun:
Não há uma relação automática. Os mecanismos pelos quais os indivíduos se tornam dependentes químicos são diversos e complexos. A psicanálise ajuda a identificar alguns deles. Vou dar um exemplo. Manter uma criança em satisfação permanente, com sua chupeta na boca o tempo todo, fazendo por ela tudo o que ela pede, a impede de ser confrontada com a perda da satisfação completa. E isso vai ser determinante em sua formação.

Mas o que essa perda tem a ver com o fato de as pessoas enveredarem por um caminho autodestrutivo?
Jean-Pierre Lebrun:
É uma anomalia no processo de humanização. Não nascemos humanos, nós nos tornamos. Isso ocorre quando aprendemos aquilo em que somos singulares entre todos os animais que habitam o planeta. Somos os únicos capazes de falar. Não se trata apenas de aprender ortografia ou usar as palavras corretamente. Quando dominamos a faculdade da linguagem, adquirimos uma série de características muito especiais, como, por exemplo, a consciência de que somos mortais. Aprendemos a construir as pontes que levam a um entendimento superior do mundo e de nossa condição. Isso é o que nos diferencia e nos torna completamente humanos. Um desequilíbrio nesse processo pode ter consequências. É aí que entra a explicação psicanalítica para o ingresso no universo das drogas. Aprender a falar, ou tornar-se humano, é algo que não ocorre espontaneamente. É uma reação a uma perda do estado permanente de satisfação completa com a qual somos confrontados na primeira infância. Ou seja, o processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro.

Com que consequências?
Jean-Pierre Lebrun: Isso faz com que estejamos cada vez menos preparados para lidar com o sofrimento da nossa condição humana. Há séculos que as drogas têm algo de paraíso artificial, como diz Baudelaire. Ou seja, uma forma de se refugiar da dor humana, da insatisfação. As drogas sempre serviram para evitar o confronto com esse sofrimento. Quanto menos você está preparado a suportar as dificuldades, mais está inclinado a se evadir, a recorrer a substâncias, sejam as drogas ilícitas, sejam as medicamentosas, para limitar o sofrimento que vai se apresentar. Com o desenvolvimento da farmacologia, essas substâncias se tornaram muito acessíveis. Isso pode criar distorções. É muito mais simples tomar uma Ritalina para não ser hiperativo do que fazer todo o trabalho de aprender a suportar a condição humana. Quando criança, a pessoa já precisa ser confrontada com a condição humana da perda de satisfação. Dessa maneira, na idade adulta, sua relação com o fim de uma paixão amorosa, por exemplo, tem maiores chances de ocorrer de maneira mais aceitável e menos traumática.

Por que as drogas têm apelo especial para os jovens?
Jean-Pierre Lebrun:
Eles são mais sensíveis a esse fenômeno porque têm uma tendência espontânea a, quando se tornam adultos, ser novamente confrontados com as dificuldades da existência. É, de certa forma, a repetição daquilo que haviam vivenciado na infância, quando foram, ou deveriam ter sido, apresentados à ideia de perda da satisfação completa, de que não ficariam com a chupeta na boca a vida inteira, por exemplo. Se, no ambiente em que esses jovens vivem, há uma abundância de produtos que funcionam como um meio de evitar essas dificuldades, eles mergulham de cabeça. Como também veem nisso certo caráter transgressivo, todas as condições estão dadas para que eles recorram às drogas.

Costuma-se atribuir o mau comportamento dos filhos à falta da estrutura familiar tradicional, como a que ocorre após uma separação. Qual a exata influência que isso pode ter?
Jean-Pierre Lebrun: Uma família organizada de forma aparentemente harmônica não necessariamente faz de um jovem uma pessoa capaz de conviver e suportar o sofrimento inerente à condição humana. Essa capacidade pode ser pequena em famílias aparentemente realizadas, com estrutura sólida. Assim como pode ser enorme em uma família conflituosa, dividida, conturbada. Por isso, não se deve levar em conta apenas o aspecto exterior da família. O que vale é a capacidade dos pais de fazer os filhos crescer. De incutir-lhes a verdadeira condição humana. Esse é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha.

O melhor mesmo, então, é aceitar que a existência é sofrida?
Jean-Pierre Lebrun: O processo é mesmo muito mais complexo do que ocorre com outros animais. Um cão nasce cão e será assim para o resto da vida. Um tigre será sempre tigre. Um humano, no entanto, precisa se tornar plenamente humano. É uma enorme diferença. Esse processo leva uns vinte, 25 anos e está sujeito a percalços. Na Renascença já se falava disso: não somos humanos, nós nos tornamos humanos.

Leia a entrevista na íntegra e assista a Lebrun no Fronteiras | O papel do pai não é mais o mesmo