A importância do limite na educação

Limites

Uma educação para autonomia e liberdade.

Baseado numa palestra para os pais do Jardim de Infância Waldorf Florescer

Quando falamos de educação, muitas vezes aparece a palavra ‘limite’. E quando algo aparece muitas vezes, geralmente tem algum fundamento. Antigamente ninguém precisava falar de limites, eles simplesmente existiam na educação, como também na sociedade. Hoje em dia parece que precisamos discutir a necessidade ou não de dar limites, a necessidade de ter ‘regras’, muitos pais perderam um pouco do ‘bom senso’ falando sobre este assunto. Por isso, limite na educação, ou melhor, a falta dele, é assunto quente: artigos em revistas e jornais, sites na internet e livros com títulos como ‘Quem ama educa’, ‘Limites sem trauma’ ou ‘O pequeno tirano’.

Nem precisamos recorrer a títulos de livros, é só observar as famílias em geral, nas lojas, restaurantes, na rua, para poder perceber que na verdade são os filhos que ‘decidem’ o que vai ser feito ou comprado. Cenas com ‘pequenos tiranos’ no supermercado, todo mundo conhece. Dentro das paredes da casa os filhos ‘decidem’ o que, e onde querem comer, com que querem brincar, que programa de televisão querem assistir e que hora querem dormir. Coloco a palavra decidir entre aspas, porque para decidir algo, a pessoa precisa de ‘experiência de vida’ o suficiente para conhecer bem as consequências, algo que falta em todos os exemplos anteriores, porque a criança ainda não conseguiu ter as experiências necessárias para tomar decisões, para fazer escolhas conscientes. As escolhas dos pequenos são baseadas na satisfação imediata do prazer, do desejo, não nas experiências da vida. Os pais precisam ajudar nos processos de escolha, e a partir de mais ou menos 3 anos, por exemplo, oferecer duas opções adequadas (você quer vestir esta roupa ou esta roupa?) e aumentando aos pouquinhos.

Na verdade, o nosso bom senso ‘sabe’ que todas essas são situações invertidas, ‘sabe’ que algo está errada, e às vezes até se sente inconfortável com situações como essas. Sabemos que sem regras, sem limites não existe sociedade, que ninguém pode fazer o que quer porque quer. A sociedade viraria caos, e já está no caminho para isso. Limites não são aceitos nem na ‘sociedade grande’, muitas pessoas fazem o que bem entendem, sem respeitar nem o outro nem as regras, que se chamam ‘leis’. Aprenderam isso em casa, desde a pequena infância.

Muitos pais hoje em dia vivenciam esta situação de estar criando ‘pequenos tiranos’ sem ter esta consciência, porque às vezes é difícil enxergar algo que está muito perto, principalmente perto no sentido afetivo. E ainda mais difícil de ter a consciência, será admitir que esteja acontecendo isso na própria família. Somente um olhar objetivo e autocrítico, em situações concretas diárias, consegue revelar que tipo de educação você, mãe/pai está dando para seu filho. Muitos ficarão assustados, sem saber o que fazer com isso.

Para reverter este quadro de inconsciência e, como consequência, poder agir diferente, precisamos primeiro entender porque toda essa ‘falação’ de limites é tão importante e o qual é o efeito na educação dos filhos.

Em geral, o limite na educação, como oposto de permissividade, é necessário para dar um ‘ninho seguro’ para as crianças, desenvolvendo uma segurança interna e autoconfiança. Assim elas consigam desenvolver segurança e autonomia, para se tornarem adultos independentes e responsáveis pelos seus atos. Os pais precisam ter este compromisso com seus filhos, o compromisso de educá-los para adultos responsáveis, ao invés de criar eternos adolescentes sem responsabilidade, através de uma educação permissiva. Não podemos, nem precisamos ter medo de perder o amor dos filhos, colocando regras.

O limite, na medida e no momento certo, deveria entrar de novo no bom senso dos pais, em dose equilibrada com respeito, direitos e deveres, e embalado numa grande quantidade de amor incondicional. Quem educa seus filhos ensinando regras, respeito mútuo e a diferença entre ‘meu e teu’, e no mesmo tempo demonstra o amor, não perde o amor dos filhos, pois está agindo como exemplo.   

Mas o que, afinal das contas, queremos dizer com esta palavra mágica? O que é ‘dar limites’? Quando precisamos ‘dar limites’? Do que estamos falando? É o tempo todo falar ‘não’, é o tempo todo proibir algo ou tudo? Será que é uma educação muito rígida e negativa, que faz as crianças ficarem com medo dos pais e com baixa autoestima? O limite que leva a traumas? Uma educação baseado no poder, no autoritarismo e no medo?

Ou será que uma educação que lida de forma consciente com limites, com autoridade natural e clareza, regras, direitos e deveres, dentro de um ambiente de afetividade e respeito mútuo, oferece um lugar seguro para que a criança possa ter um desenvolvimento equilibrado, assim favorecendo um processo de maturidade emocional-cognitivo saudável e formando adultos com ideias e identidades próprias? Vamos ver que uma educação baseada no equilíbrio entre direitos e deveres, colocando limites onde precisa, agindo firmemente e com convicção no momento certo, serve justamente para fortalecer a identidade da criança, tornando-se um adulto autônomo, responsável e livre.

Vamos olhar mais detalhadamente o que é este limite. No nosso dia-dia conhecemos vários tipos de limites. Falaremos agora de alguns aspectos do limite, relacionando-os à educação, para depois falar um pouco do desenvolvimento da criança até 6 a 7 anos.

Um limite bem conhecido é o de idade, que separa a criança do jovem, com 12 anos, e o jovem do adulto, com 18 anos. O ultimo é o limite da maioridade, quando a pessoa responde legalmente por suas ações, tem a ‘responsabilidade’ de seus atos. Pessoas abaixo deste limite são proibidas de fazer certas coisas (beber álcool, votar, dirigir…), porém tem direitos especiais que as protegem. A sociedade reconhece que uma criança, um jovem, é um ‘ser em desenvolvimento’, com direito a educação e proteção.

No entanto, um lado importante da infância parece que está desaparecendo, pois crianças pequenas muitas vezes parecem adultos miniaturas, com a alfabetização precoce, uma ‘agenda’ lotada de atividades e lição de casa, maquiagem para as meninas, tablets e celulares e mais. Para se desenvolver de forma saudável, a criança de até 7 anos precisa brincar, precisa vivenciar o mundo em todos seus aspectos através da própria experiência. Assim ela aprende a conviver com os amigos, resolvendo entre si pequenos problemas, aprende a planejar e organizar as atividades de brincar que ela pode escolher, assim ela aprende a lidar com desafios e frustrações sem birra, choro e sem desistir. Ela vivencia alegria quando insiste a resolver algo difícil, e finalmente consegue sozinha, assim contribuindo para o crescimento da autoconfiança: eu consigo! Ela começa a entender que cada ato tem uma consequência, que ela precisa respeitar o espaço do outro, e assim aos poucos desenvolve autocontrole e autorregulação. Estas habilidades, e outras similares, que são chamadas de ‘funções executivas’, que são de grande importância para o futuro desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança e, consequentemente, seu sucesso acadêmico. O desenvolvimento destas ‘funções executivas’ é um processo de muitos anos, que deveria ter seu inicio entre 4 e 6 anos de idade. O que ela aprende nesta idade, ela tem para a vida. O que ela não aprende será mais difícil de recuperar, porque já está se formando os hábitos.

Outro limite é o limite diferenciado, como o limite de velocidade para vários tipos de carro, ônibus, caminhão. No dia-dia na família também podem e até devem existir estes limites diferenciados, o limite não é algo estático, rígido. O limite que precisa existir pode depender da situação. Na educação dos filhos (quando tem mais do que um!), percebe-se que eles não são todos iguais nas suas necessidades e possibilidades, então não deve tratar todos sempre iguais neste sentido. Como exemplo gostaria de chamar atenção de algo bastante comum, que é que no aniversário de um dos filhos, o outro também ganhe um presente, porque caso contrário ele fica sentido, coitado….

Fazendo assim, os pais sem saber criam filhos que não conseguem esperar, que não conseguem aceitar que não é sempre a vez deles, que não estão sempre no centro da atenção. Crianças de até mais ou menos 3 anos, naturalmente se acham estar no centro do mundo, elas vivenciam a chamada ‘fase narcisista’, ou egocêntrica, sentindo-se ‘onipotentes’. Isso é uma fase natural, porque ela ainda não tem a capacidade de entender que existe algo, ou outra pessoa, além dela, achando que todos em volta dela existem por causa dela, para suprir seus desejos. Nesta idade ela quer todos seus desejos satisfeitos de imediata, não quer esperar, não quer dividir brinquedos, porque ‘só ela existe’.

É claro que mesmo nesta fase os pais já precisam saber lidar com isso de forma consciente e com muita paciência, fazendo que, aos poucos, por exemplo, a criança aprenda a dividir os brinquedos e não precise mais ter seus desejos satisfeitos de imediato. Assim, de um lado respeitam a maturidade neurológica da criança, do outro lado já preparem o caminho, o aprendizado para a necessária superação ou transformação desta fase.

Isso tudo parece obvio, mas cuidado, quantas crianças de 4, 5, 6 anos ou mais, ainda se acham no centro do universo…e pior, plenamente apoiadas nesta crença pelos pais? Tudo precisa ser ‘para já’ e ‘do meu jeito’. Assim se cria os pequenos tiranos, os reizinhos da casa, e quando se percebe isso, muitas vezes já é muito tarde para reverter o quadro…

Conhecemos ainda o limite como obstáculo, impedindo algo, porém servindo de ‘chamada’ para a superação da dificuldade. Quando a criança começa a engatinhar, a andar, a comer sozinha, não podemos facilitar seus ‘treinos’. Vivenciando as dificuldades, tentando superar os obstáculos, ela está fortalecendo seus músculos, treinando seu equilíbrio, focando seu olhar, desenvolvendo sua orientação no espaço e no tempo, e assim estimulando certas regiões de seu cérebro.

Este treino, ás vezes até bastante ‘sofrido’ aos nossos olhos, é algo absolutamente necessário para o desenvolvimento saudável da criança, não só para a questão do ‘treino físico’, mas também para o ‘treino mental’ da superação dos desafios. E o interessante é que a própria criança nunca pensa: ‘Aí, está difícil demais, este andar, acho que vou desistir…’. Isso não existe. Somos nós adultos que achamos isso, que é difícil demais para ela.

Porque além de treinar seu corpo de várias maneiras, a criança está aprendendo a lidar com a frustração de cair, levantar e continuar tentando. Mas não desiste! Ela está desenvolvendo uma força interna de superar limites, de lidar com frustrações, agora num nível bem básico, porém preparando-se para lidar de maneira positiva com barreiras, limites e frustrações futuras. A superação do desafio, da dificuldade, da frustração, do ‘sofrimento’, faz que a criança cresça, que ela acredite nas suas habilidades, que ela desenvolve autoconfiança e a segurança interna de: ‘eu consigo’. Mas só quando a própria criança de fato tem a chance de ir até o fim para chegar aonde quer chegar. Quando o adulto interfere, ajuda, facilita, repetidas vezes, a criança internaliza que não é capaz, que sempre precisará de ajuda pata tudo. Assim ela perde a confiança em si mesma, fica insegura e não desenvolve a autonomia para fazer as coisas. Ela precisa desenvolver a resiliência, a força interna de ‘levantar depois de ter caído’, como também a possibilidade de aprender a resolver os problemas, assim se preparando para ir ‘além de seus limites’. Obstáculos, frustrações, ‘sofrimento’ na medida certa, são necessários para um desenvolvimento saudável, para desenvolver a força de superar os próprios limites.

O limite geográfico, a fronteira entre duas ‘propriedades’, demarca o que é meu, e o que é do outro. A criança precisa aprender a lidar com este limite desde cedo: pode brincar com seus brinquedos, mas não com meu celular; você dorme no seu quarto e eu no meu; agora eu vou brincar ou fazer algo com você, depois eu preciso trabalhar e você vai fazer algo sozinho.

Outro aspecto importante deste limite entre o ‘meu e o seu’ é na verdade algo muito básico. O limite fornece força própria, identidade, individualidade. O limite cria consciência das próprias possibilidades, relacionadas com o mundo ao redor.

E existe aquele limite que é o STOP, que quer dizer: até aqui e não pode passar! Cada sociedade, grande ou pequena, cada grupo de pessoas, precisa de regras de convivência. As crianças precisam aprender estas regras e isso faz parte da educação. Educar, além de muitas outras coisas, é orientar seu filho em viver em sociedade, respeitando suas regras e as pessoas que vivem nesta sociedade, em respeitar a diversidade que existe entre as pessoas, cada um com necessidades diferenciadas, em respeitar o espaço físico e anímico do outro, em saber lidar com os desafios da vida sem desistir ou se frustrar.

Não podemos ter medo de dizer ’não’ no momento que isso se faz necessário.  Escutar o ‘STOP’ quando precisa dá segurança, e segurança é o fundamento de qualquer educação, transformando-se em autonomia na convivência social. Este STOP precisa ser bem CLARO, sem deixar nenhuma duvida! Encontrar limites na medida certa estimula a criança a superar a frustração, e a desenvolver estratégias de lidar com isso, ou seja, a habilidade de enfrentar situações complexas.

A criança precisa treinar, exercitar, aprender tudo isso na comunidade pequena, a família, a escola, o grupo de amigos, o clube etc., para que mais tarde, o mundo não precisa ensinar isso de forma mais dura.

Uma criança recém-nascida precisa aprender tudo na vida, ela não ‘sabe’ nada ao nascer, ainda não tem nenhuma experiência, nenhuma vivencia ou lembrança. Ela nasce num mundo que ela não conhece, cheio de acontecimentos, objetos, cheiros, barulhos, percepções desconhecidos. Não conhece nem seu próprio corpo e não tem ainda a possibilidade de ‘mandar’ nele, nem a consciência de que isso um dia seria possível. Ela está numa situação de absoluta dependência. Ela não é um ‘adulto miniaturo’, não consegue pensar e racionar, nem sentir ou observar as coisas como nos. Ela precisa aprender tudo na vida, e isso acontece nos primeiros anos principalmente em primeiro lugar através do exemplo e depois pela vivencia, a experiência própria.

Um professor de uma autoescola observou isso claramente através do estilo de dirigir de seus alunos: os jovens apresentem o estilo de dirigir de seus pais nos mínimos detalhes!

Mas para começar, a criança precisa de um ‘ninho seguro’, primeiro para a simples sobrevivência. Este ninho é o ambiente físico, o berço, onde ela consegue sentir os limites do bercinho para se sentir segura e acolhida. Assim aprende se orientar e ‘se sentir’. Tem que aprender a distinguir e estabelecer o ritmo do dia e noite, de mamar e dormir, para poder confiar na pessoa que cuida dela. Tem que aprender a distinguir e reconhecer os diferentes sentimentos: fome, sede, sono, frio, calor, mas também alegria, medo, raiva. Tudo isso ajuda o processo de se conhecer. Os pais podem ajudar nisso, reconhecendo as necessidades e sentimentos dos filhos, distinguindo-os dos simples desejos por querer.

O ‘filhote humano’ precisa estar inserido num ambiente social humano para se desenvolver como ser humano, ao contrário de outros seres vivos, que se desenvolvem segundo seu padrão genético, independentemente do ambiente onde crescem. O bezerrinho vai ser vaca, e se comportar como tal, mesmo quando cresce com macacos. O ser humano não. O ser humano precisa de outros humanos para se tornar verdadeiramente humano. A criança depende do exemplo e da convivência humana, assim ela aprende.

Assim podemos entender que a criança precisa de orientação, de ajuda, para perceber o que é certo e errado, para aprender a fazer suas escolhas baseadas na experiência, para conviver em grupos. Esta orientação é como se fosse um ‘guia de turismo’ num país desconhecido, oferecendo direção, e a sensação de segurança. Precisamos orientar as crianças (‘turistas’) para fazer escolhas certas, porque elas ainda não têm experiências suficientes para escolher sozinhas. Mas precisam ter a possibilidade de treinar isso, oferecendo inicialmente, por exemplo, duas possibilidades de escolha.

A criança busca o confronto, o limite, a atenção e interesse verdadeiro dos pais, porque assim ela se sente percebida e reconhecida. Enquanto os pais não oferecem a segurança do limite, do ‘até aqui e não mais’, a criança não para de provocar, de desafiar, de procurar o confronto, de procurar a atenção. De forma meiga, agressiva, chantageando, fazendo birra, ela vai usar todas as suas possibilidades para chegar ao limite do pai/mãe. Porque cada criança precisa ser percebida e reconhecida.

Ela não precisa do mais novo videogame, da viagem para Disney antes de se alfabetizar, todo ano no aniversário uma festa para 30 crianças, do shopping todo domingo. Mas ela precisa da presença e atenção inteira dos pais pelo menos algum tempo por dia, ela precisa de um dia estruturado e previsível que dá segurança, ela precisa de uma historinha antes de dormir, de um jogo de dominó, de memória ou um quebra-cabeça só com papai ou mamãe, ou seja, ela precisa da vida simples de uma criança pequena, de poder brincar, de descobrir o mundo, de desenvolver a confiança no mundo e nela mesma e, principalmente, do amor de seus pais, agindo como o fermento que permeia tudo.

Muitos pais têm medo de dar limites aos filhos, de dar bronca, de dizer ‘não’, para não perder o amor dos filhos, mas esquecem ou não reconhecem que assim estão criando pequenos mandantes na casa. Porque se você ama seu filho, não tenha medo de perder o amor dele. Seu exemplo de ter amor por ele, acima de tudo, é mais poderoso do que broncas, consequências merecidas, palavras, presentes ou passeios. Seu exemplo é tudo.

Seguem ainda algumas dicas para uma educação que desenvolve autonomia e responsabilidade nas crianças:

– Recompensar o bom comportamento.

– Entender que recompensa não é obrigatoriamente “dar coisas materiais”.

-Fazer com que a criança assuma as consequências dos seus atos (positivos ou negativos).

Assim, a criança consegue desenvolver e seguir sua vida com confiança, autonomia e liberdade.

Confiança nos seus atos, porque construiu uma base firme: não é não e sim é sim.

Autonomia nas relações sociais, porque vivenciou a respeitar os limites dos outros e, quem tem respeito pelo outro, recebe respeito.

Liberdade com responsabilidade, porque aprendeu que cada ato, cada escolha tem suas consequências.

Gerty Maris,
Pedagoga, Neuropsicopedagoga Clinica, Especialista em Alfabetização.
Atendimento clínico: Línea Espaço Saúde, Tel: 38140178

 

PEDIDO DE UMA CRIANÇA A SEUS PAIS 

Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais segura. 
Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo o que peço. Só estou experimentando vocês.
Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo, o que é errado.
Não me corrijam com raiva, nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se me falarem com calma e em particular.
Não me protejam das conseqüências de meus erros. Às vezes eu preciso aprender pelo caminho áspero. 
Não levem muito à sério as minhas pequenas dores. Necessito delas para poder amadurecer. 
Não sejam irritantes ao me corrigirem.
Se assim o fizerem, eu poderei fazer o contrário do que me pedem. 
Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Lembrem-se que isto me deixa profundamente desapontada. 
Não ponham à prova a minha honestidade.
Sou facilmente levada a dizer mentiras.
Não me apresentem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastaria d’Ele. 
Não desconversem quando faço perguntas, senão serei levado a procurar as respostas na rua todas as vezes que não as tiver em casa. 
Não se mostrem para mim como pessoas infalíveis. Ficarei extremamente chocada quando descobrir um erro de vocês. 
Não digam simplesmente que meus receios e medos são bobos. Ajudem-me a compreendê-los e vencê-los. 
Não digam que não conseguem me controlar.
Eu me julgarei mais forte que vocês.
Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Lembrem-se que eu tenho o meu próprio modo de ser.
Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto irá criar em mim, mais cedo ou mais tarde, o espírito de intolerância.
Não se esqueçam de que eu gosto de experimentar as coisas por mim mesma. Não queiram ensinar tudo pra mim. 
Não tenham vergonha de dizer que me amam. Eu necessito desse carinho e amor para poder transmiti-lo à vocês e aos outros. 
Não desistam nunca de me ensinarem o bem, mesmo quando eu parecer não estar aprendendo. 
Insistam através do exemplo e, no futuro, vocês verão em mim, o fruto daquilo que plantaram.

Autor desconhecido.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s