Lanche feliz, numa escola feliz

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Li o texto abaixo, publicado na Folha de S. Paulo, e não pude deixar de concordar e, ao mesmo tempo, me sentir grata por saber que meus filhos têm a sorte de pertencer ao grupo raro, das poucas escolas que, além de se preocupar com a qualidade do lanche, ainda imbuem de significado o ato de preparar o alimento e comer em grupo.

No Jardim Florescer é assim. O lanche é preparado na escola, pela professora, com a ajuda das crianças. A cada semana uma família fica responsável por levar os ingredientes: frutas, iogurte, granola, sucos naturais e, no primeiro dia da semana, levam o pão feito em casa pela família.

Assim, além de termos a certeza de que nossas crianças estão se alimentando de forma saudável, ainda temos a oportunidade de experimentar o prazer de fazer o pão e dividir esse momento com nossos filhos, algo que, certamente, ficará guardado na memória deles.

(Gabriela, mãe da Florescer)

Lanche infeliz

 Por Rosely Sayão* – Publicado na Folha de S. Paulo

“É hora do lanche!”. Essa frase, que era dita quase aos gritos pelas crianças quando soava o sinal na escola anunciando o intervalo, costumava ser uma alegria.

Depois de mais ou menos duas horas estudando ou brincando com os colegas e sendo conduzidas pelos professores, tomar o lanche trazido de casa e feito com carinho e dedicação pelos pais ou pelos avós, às vezes pela empregada da casa, era tudo o que as crianças precisavam.

O lanche na escola faz mais do que alimentar a criança ou matar sua fome. É ao fazer aquela refeição que o aluno relaxa e se lembra, nem sempre de modo consciente, da segurança de sua casa e da presença e do afeto dos pais. E é isso que refaz a energia da criança e permite que ela retome o seu período de trabalho escolar com mais coragem e mais confiança.

Eu tenho observado o tipo de lanche que os alunos tomam atualmente nas escolas.

Bem, primeiramente temos de lembrar que hoje há dois tipos de escola: aquelas que ainda preservam a tradição de a criança levar seu alimento de casa e aquelas que já oferecem o lanche para os seus alunos.

Por que tantas escolas privadas assumiram mais esse encargo em seu trabalho? Bem, pelo que sei, por dois motivos bem diferentes.

Algumas poucas dessas instituições se preocuparam com a qualidade da alimentação das crianças e assumiram a responsabilidade de educar seus alunos também nesse quesito.

Essas escolas, que atendem principalmente os menores de seis anos, preparam o lanche em seus próprios espaços e não se preocupam apenas com a refeição balanceada e/ou com a oferta de alimentos saudáveis para as crianças. Elas incentivam os alunos, ensinam a experimentação e oferecem uma merenda saborosa, bonita e com um aroma que dá água na boca de qualquer adulto! E as crianças se deliciam nessa hora. Dá para perceber a alegria delas na hora do lanche.

Há outras escolas que decidiram oferecer o lanche por solicitação dos pais. Elas contrataram nutricionistas ou empresas que levam os lanches para a escola e, sinto informar: as opções que conheci não pareciam muito apetitosas, não. Tampouco saudáveis do jeito que se fala.

Certamente há nutricionistas por trás desses lanches, mas pode ser que esses profissionais se preocupem mais com o aspecto nutricional dos alimentos do que com as crianças e com sua educação.

Por fim: tenho observado lanches que os alunos levam de casa e tenho ficado impressionada com o que tenho visto. Sucos industrializados, bolos, bolachas recheadas, salgadinhos, bisnagas etc.

De vez em quando, consigo ver alguns alunos comendo frutas ou um bolo caseiro no intervalo. Mas essa cena tem sido cada vez mais rara, tanto quanto a alegria das crianças no momento de comer o lanche.

Preparar o lanche de um filho é um ato amoroso. Nestes tempos em que os pais declaram tantas vezes seu amor pelos filhos, por que é que as lancheiras que vão de casa para a escola têm sido assim tão pouco amorosas?

Não vale justificar o problema com a falta de tempo dos pais. Talvez a explicação esteja mais para falta de disponibilidade, não é?

Afinal, preparar qualquer refeição para os filhos exige isso: disponibilidade e amorosidade. E dá trabalho.

Mas ter filhos pressupõe mesmo muito trabalho. Inclusive na hora de preparar o lanche que ele irá comer longe de casa. E amor aos filhos se declara dessa maneira: cuidando deles, fazendo-se presente na ausência e, de vez em quando –de vez em quando!–, demonstrando esse sentimento com beijos, frases e abraços. E isso, de preferência, quando eles aceitarem essas manifestações de bom grado.

*Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. Escreve às terças na versão impressa de “Equilíbrio”.

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