Época de São Micael

Procurando textos sobre Micael nesta época que muito lembramos dele, encontrei um belo texto de Anna Maria  M Karassawa que compartilho aqui com vocês:

Dia 29 de Setembro – Dia de Micael

imagem de Raphael
 
“O Arcanjo Micael monta a guarda no portal do céu. Com sua balança ele pesa o bem contra o mal. Com sua espada ele afasta o mal. Faz muito tempo, um enorme dragão quis levantar-se contra os anjos e atrapalhar o sossego do Céu.Ele tinha um corpo feio, coberto de verrugas, uma cauda escamosa e uma boca enorme. Bufando, ele se acercou do portal do céu, e cuspiu fogo no anjo guardião. São Micael elevou sua espada de luz e derrubou com força o dragão que caiu na Terra…”(*)
Em 29 de setembro comemora-se o dia do Arcanjo Micael. A data consta no calendário de igreja católica, mas para muitos é um dia comum, sem grandes significados. Alguns talvez constatam: “Ah, hoje é o dia do Arcanjo Miguel”. E se resume a isso.Quem acompanha de perto as festas anuais comemoradas nas escolas Waldorf, certamente terá outra vivência no dia 29 de setembro. A data é amplamente comemorada, assim como o Natal, a Páscoa e São João. Os professores preparam os espíritos de seus alunos, contando histórias sobre heróis que corajosamente conseguem enfrentar e vencer terríveis dragões; desafios e jogos de coragem são propostos às crianças maiores, com a intenção de despertar nelas uma vivência de sua força interior e assim superar obstáculos e dificuldades; hinos em homenagem ao Arcanjo Micael e a heróis valentes são entoados com alegria nas salas de aula, desde o jardim até as classes mais velhas. O período em torno da data é muito marcante para as crianças, que se identificam com os heróis valentes e, de certa forma, anseiam por lutar contra o mal.

Porque o Arcanjo Micael é tão importante para todas as iniciativas antroposóficas? Para compreendermos a importância de Micael precisamos nos remeter ao início dos tempos, quando Lúcifer se voltou contra Deus-Pai. O anjo caído e seus seguidores foram expulsos do céu pelo Arcanjo Micael, o guardião celeste. Desde então, Micael tornou-se o grande representante da força e principalmente da consciência que devemos buscar na nossa luta diária contra todos os dragões que nos rodeiam.
E são muitos dragões. Existem aqueles que são visíveis, que podemos notar sem dificuldades, como a miséria, a fome, a corrupção, os vários tipos de abusos, e muitos outros mais. Porém há aqueles dragões que são sutis, que muitas vezes passam despercebidos por todos nós, são aqueles que estão presentes na nossa inconsciência diante do consumismo exacerbado; ou aqueles que nos levam a uma exagerada preocupação com nossa aparência externa, fazendo com que esqueçamos de cuidar do nosso interior, de nossa essência eterna; há o dragão da indiferença, que nos torna passivos diante de atitudes inadequadas, que nos leva a aceitar programas de televisão, músicas, propagandas que promovem ódio, a intolerância, o preconceito, a desarmonia; outro terrível dragão é aquele que nos convence a aceitarmos a paulatina substituição das relações humanas pela máquina, pelo “mundo virtual”, tudo em nome do progresso, do desenvolvimento de uma melhor qualidade de vida.
Atualmente, com todos os meios de informação à nossa disposição, não podemos mais caminhar pela vida de forma inconsciente, alheios aos malefícios que os dragões nos impõem e simplesmente dizer: “Ah, eu não sabia que isso ou aquilo faz Mal”. Estamos na Era da Consciência, regida pelo Arcanjo Micael. Ele representa a força e a coragem que devemos ter em nossa luta diária, para estarmos sempre alertas ao que é bom e ao que é mau.
Para as crianças, os dragões deveriam ser apenas aqueles presentes nas histórias que lhes são contadas. Mas os adultos que as rodeiam convivem diariamente com os dragões acima citados e muitos outros mais. Porém, se queremos que elas tenham coragem para um dia enfrentá-los, precisamos ser dignos de exemplo de coragem, de consciência. Inspiremo-nos em Micael.

Texto de: Anna Maria Macrander Karassawa

E não poderia faltar tão belo poema de Rudolf Steiner, Forjando a Armadura;
 
                                                            
“Nego a submeter-me ao medo
Que me tira a alegria de minha liberdade
Que não me deixa arriscar nada,
Que me torna pequeno e mesquinho,
Que me amarra,
Que não me deixa ser direto e franco,
Que me persegue,
Que ocupa negativamente a minha imaginação,
Que sempre pinta visões sombrias.
No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.
Quero viver, não quero encarcerar-me.
Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro,
não para encobrir meu medo.
E quando me calo, quero fazê-lo por amor,
não por temer as conseqüências de minhas palavras.
Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar.
Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros
pelo medo de que possam impor algo a mim;
Por medo de errar, não quero tornar-me inativo.
Não quero fugir de volta para o velho, para o inaceitável,
por medo de não me sentir seguro novamente.
Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de ser,
caso contrário, ignorado.
Por convicção e amor quero fazer o que faço
e deixar de fazer o que deixo de fazer.
 
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao Amor.
E quero crer no reino que existe em mim.”
Rudolf Steiner
 
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