Desabafo : sobre “Aquela” Criança.

 Este texto chegou através de uma antiga e querida mãe da escola, fiquei emocionada com ele  e acho que tenho que divulgá-lo em muitos lugares.

Senti com  ele, o desabafo de todo bom professor que olha verdadeiramente para seu aluno e o vê não como mais um, mais sim como o outro  filho dentre  tantos  que estão em sala, que já passaram por sua vida e que ainda estão nela.

Quantas vez também chorei  escutando que “aquela”  criança  não merecia estar naquele lugar, não “faz bem para meu filho a convivência”  com “aquela” criança ou  tomem alguma providência  e coloquem “aquela” criança  para fora da escola. Já doeu tantas vezes…

Sei que não é fácil estar com “aquela”  criança  ou receber seu filho machucado ou reclamando, também sei que não é fácil para o outro lado; para a família que tem “aquela”  criança, como  também sei  que não é fácil para nós educadores estarmos administrando o dia  com “aquela”  criança.

Mas uma coisa eu sei! “Aquela”  criança  não é assim, ela está  assim por  questões (milhares que podem ler abaixo) que esta vivendo  em seu mundo, e também sei que é possível e  agora digo em com letras garrafais COM  AJUDA DA FAMÍLIA (porque acreditem, nenhuma instituição, nenhum professor , consegue realizar algo sozinho, não há  milagres nesta questão) haver mudança.

“Aquela”  criança precisa do olhar e dos cuidados atentos  de todos que estão ao seu redor, seja do educador, da família, de outros profissionais e de toda a comunidade  que estão ao seu redor, quanto mais  a tratarem como “aquela”  criança, mais  ela se tornará a pessoa  que não é aceita, a pessoa  que todos  olham diferente, a pessoa  que ninguém convida para  encontros sociais, a pessoa  que ganhará um rotulo de “aquela pessoa”.

Há uma bela frase  que diz “é necessário toda uma comunidade para se educar uma criança”.

Ser  educador, professor, não é fácil;ser pai  e mãe também não é, afinal a vida tem seus altos e baixos, tem suas  surpresas, tristezas e alegrias, entretanto nós escolhem os  o que queremos ser, só pode ser educador/professor, quem realmente AMA  esta linda profissão  com tudo que ela  carrega.

Ser pai e mãe também é uma escolha, uma responsabilidade  muito maior do  que podemos imaginar, eles nos imitam  no que fazemos, falamos e até no que pensamos e afinal  que papel  quero que meu filho assuma no mundo?

Um dia um pai me perguntou, se eu já não tinha acostumado depois de tantos anos com a saída de meus alunos para o primeiro ano(é que sempre me emociono) e sem sombra de dúvida respondi que não, pois cada aluno é único, cada família é única e cada uma delas deixou que eu fizesse  parte da história  de sua vida e fez parte da minha.

Agradeço imensamente por ter escolhido  este caminho em minha  vida, agradeço imensamente por todos  que por ela já passaram, passam e se tudo der certo, ainda irão passar.

Andréa Courel

 

Querido pai: Sobre AQUELA criança

Carta de uma professora ao pai da criança que todo dia chega em casa com uma história sobre AQUELA criança. Leia o que todo professor gostaria de dizer aos pais.

  • Este artigo foi originalmente publicado no blog Miss Night’s Marbles, republicado aqui com permissão, traduzido e adaptado porSarah Pierina.

    Querido pai:

    Eu sei. Você está preocupado. Todo dia, seu filho chega em casa com uma história sobre AQUELA criança. Aquela que está sempre batendo, empurrando, beliscando, arranhando e até mesmo mordendo outras crianças. Aquela que sempre precisa segurar minha mão no corredor. Aquela que sempre tem um lugar especial no tapete, e às vezes se senta em uma cadeira em vez do chão. Aquela que teve que sair da sala de brinquedos, porque brinquedos não foram feitos para ser jogados nos outros. Aquela que escalou a cerca do parquinho exatamente enquanto eu dizia para ela parar. Aquela que derramou o leite de seu colega no chão em um acesso de raiva. De propósito. Enquanto eu estava olhando. E depois, quando eu pedi para que ela limpasse, acabou com o rolo de papel toalha inteiro! De propósito. Enquanto eu observava. Aquela que soltou PALAVRÕES de verdade na aula de educação física.

    Você está preocupado que essa criança esteja prejudicando a experiência de aprendizagem de seu filho. Você está preocupado que ela ocupa muito do meu tempo e energia, e que seu filho não receberá a atenção necessária. Você está preocupado que ela irá machucar alguém de verdade algum dia. Você está preocupado que esse “alguém” seja seu filho. Você está preocupado que seu filho talvez comece a usar agressão para conseguir o que ele quer. Você está preocupado que seu filho vá ficar atrasado academicamente porque talvez eu não consiga notar que ele está tendo dificuldades para segurar um lápis. Eu sei.

    Seu filho, este ano, nesta turma, com esta idade, não é AQUELA criança. Seu filho não é perfeito, mas ele geralmente segue as regras. Ele é capaz de dividir brinquedos pacificamente. Ele não joga os móveis. Ele levanta a mão para falar. Ele trabalha quando é hora de trabalhar, e brinca quando é hora de brincar. Ele é confiável porque sempre vai direto para o banheiro e depois volta direto para a sala, sem travessuras. Ele nem conhece os palavrões. Eu sei.

    Eu sei, e eu também estou preocupada.

    Eu me preocupo o tempo todo. Com TODOS eles. Eu me preocupo com o jeito que seu filho segura o lápis, com os sons das letras de outra criança, com a timidez daquele pequenino e com a lancheira sempre vazia daquele outro. Eu me preocupo que o agasalho do Lucas não seja quente o suficiente e que o pai de Talita grite com ela por escrever a letra B ao contrário. Me preocupo enquanto dirijo e enquanto tomo banho, estão sempre em minha mente.

    Mas eu sei, você quer falar sobre AQUELA criança. Porque os Bs ao contrário de Talita não vão deixar seu filho com um olho roxo.

    Eu quero falar sobre aquela criança também, mas há tantas coisas que eu não posso lhe dizer.

    Eu não posso lhe dizer que ele foi adotado de um orfanato com 18 meses.

    Eu não posso contar que ele está em uma dieta de eliminação de possíveis alergias alimentares, e que por isso ele está com fome O TEMPO TODO.

    Eu não posso lhe dizer que seus pais estão no meio de um divórcio horrível, e ele tem ficado com sua avó.

    Eu não posso lhe dizer que eu estou começando a me preocupar com sua avó bebendo demais…

    Eu não posso lhe dizer que a sua medicação para a asma faz com que ele fique agitado.

    Eu não posso lhe dizer que sua mãe é uma mãe solteira, então ela (a criança) fica na escola a partir do horário que ela abre até o horário que a escola fecha e, em seguida, a viagem da escola até a casa leva 40 minutos, então ela (a criança) tem menos tempo de sono do que a maioria dos adultos.

    Eu não posso lhe dizer que ele foi testemunha de violência doméstica.

    Tudo bem, você diz. Você entende que eu não possa compartilhar informações pessoais ou da família. Você só quer saber o que eu estou fazendo sobre o comportamento dessa criança.

    Eu adoraria contar-lhe. Mas eu não posso.

    Eu não posso dizer-lhe que ela recebe serviços fonoaudiólogos, que uma avaliação mostrou um grave atraso na linguagem, e que o terapeuta sente que a agressão está relacionada à frustração por ser incapaz de se comunicar.

    Eu não posso dizer-lhe que eu tenho reuniões com seus pais TODA semana, e que ambos costumam chorar nessas reuniões.

    Eu não posso dizer-lhe que a criança e eu temos um sinal de mão secreto para me dizer quando ela precisa se sentar sozinha por um tempo.

    Eu não posso dizer-lhe que ele passa a hora do descanso enrolado no meu colo porque “me faz sentir melhor ao ouvir seu coração, professora”.

    Eu não posso lhe dizer que eu tenho rastreado seus incidentes agressivos meticulosamente, e que eles caíram de 5 incidentes por dia, para cinco incidentes por semana.

    Eu não posso dizer-lhe que a secretária da escola concordou em deixar-me mandá-lo para o escritório para “ajudar” quando eu percebo que ele precisa de uma mudança de cenário.

    Eu não posso dizer-lhe que eu estava em uma reunião de equipe e, com lágrimas em meus olhos, IMPLOREI aos meus colegas para ficar de olho nela, para serem gentis com ela, mesmo quando estão frustrados porque ela acabou de dar um soco em alguém DE NOVO, e desta vez, BEM NA FRENTE DE UM PROFESSOR.

    A questão é, há TANTAS COISAS que eu não posso lhe dizer sobre essa criança. Eu nem posso lhe dizer as coisas boas.

    Eu não posso lhe dizer que o seu trabalho na sala de aula é regar as plantas, e que ele chorou desconsoladamente quando uma das plantas morreu durante as férias de inverno.

    Eu não posso lhe dizer que ela dá um beijo de tchau em sua irmã bebê todas as manhãs, e sussurra “Você é o meu sol” antes da mãe empurrar o carrinho para longe.

    Eu não posso lhe dizer que ele sabe mais sobre as tempestades do que a maioria dos meteorologistas.

    Eu não posso lhe dizer que muitas vezes ela me pede para ajudar a apontar os lápis durante o recreio.

    Eu não posso lhe dizer que ela acaricia o cabelo de sua melhor amiga na hora do descanso.

    Eu não posso lhe dizer que, quando um colega está chorando, ele corre com seu ursinho favorito do cantinho de histórias.

    A questão é, querido pai, que eu só posso falar com você sobre o SEU filho. Então, o que posso dizer é o seguinte:

    Se em algum momento, o SEU filho, ou qualquer um de seus filhos, se tornar AQUELA criança…

    Eu não vou compartilhar seus assuntos familiares com outros na sala de aula.

    Eu vou me comunicar com você com frequência, de forma clara e gentil.

    Eu vou me certificar de sempre ter lencinho por perto em todas as nossas reuniões e, se você deixar, eu vou segurar sua mão quando você chorar.

    Eu vou advogar por seu filho e família, para que recebam os serviços especializados de melhor qualidade, e eu vou cooperar com esses profissionais da melhor forma que for possível.

    Eu vou me certificar que seu filho receba mais amor e carinho quando ele mais precisar.

    Eu vou ser uma voz para sua criança em nossa comunidade escolar.

    Eu vou, não importa o que aconteça, continuar a procurar, e encontrar, as coisas boas, surpreendentes, especiais e maravilhosas sobre seu filho.

    Eu vou lembrar a você, PAI, dessas coisas boas incríveis maravilhosas e especiais, várias e várias vezes.

    E quando outro pai vier a mim, com preocupações sobre o SEU filho…

    Eu vou dizer-lhe tudo isso, mais uma vez.

    Com muito amor,

    Professora.

A Festa da Lanterna

A Festa da Lanterna é comemorada em toda escola Waldorf, sendo muito esperada pelas crianças e pelas famílias.

Todos os anos, novas  lanternas são confeccionadas  e no dia da Festa  elas iluminam o caminho e o coração das pessoas  que a carregam e a acompanham.

Um pouquinho do que é esta festa: 

A Festa da Lanterna é uma festa de origem européia. Lá, é comemorada no dia 11 de Novembro, dia de São Martinho. Foi introduzida no Brasil pela primeira Escola Waldorf de São Paulo, para o Jardim da Infância, na época de São João.

No hemisfério Sul, em Junho, estamos entrando no Inverno. Portanto, podemos dizer que essa é uma festa que prepara para a chegada do inverno, época que percebemos uma grande inspiração da terra, uma aquietação da natureza. O clima fica mais frio, a noite chega mais cedo, tudo favorece uma atitude de recolhimento e interiorização, de uma busca para dentro de nós mesmos, da luz que vive no nosso interior.

Em toda chegada de uma nova estação, buscamos direcionar novas atividades e assumir uma postura coerente com as qualidades que a época inspira. Imbuídos de sentimentos verdadeiros tornamos quase que tradutores dessas qualidades que a natureza emana.

Quanto menores as crianças, mais sutis serão nossos gestos, mais plenos de imagens serão os conteúdos trabalhados no dia a dia. O professor de Educação Infantil pode ser um grande poeta que utiliza intensamente as figuras de linguagem a favor das crianças, metaforizando aquilo que os pequenos só podem apreender (e aprender) pelas imagens.

Precisamos cuidar para que a cada época, a cada celebração possamos despertar aquilo que já está impregnado na alma humana e precisa, aos poucos, ser “acordado”.

Esse despertar é um processo natural da criança resultando num desenvolvimento individual, à medida que, repetidamente, povoamos de imagens seus corações. A celebração das festas anuais são ótimos recursos de que nos valemos para possibilitar aos pequenos essas vivências que lhes alimentam a alma proporcionando sentimentos de alegria, amor, coragem, confiança e segurança diante do mundo.

A festa é preparada por integrantes da escola, inclusive pais e amigos. As crianças presenciam e participam com muito entusiasmo a alegria da confecção das lanternas, aprender músicas e escutam pequenas estórias e poesias relacionadas ao tema.

Os professores contem e podem até presentear as crianças com um lindo teatro da história “A menina da Lanterna”, cujas imagens mostram o caminho individual do homem em busca de luz interior. Os personagens do texto nos revelam âmbitos do ser humano que necessitem ser dominados, transformados e renovados. Lembremos que o fogo, desde os tempos mais remotos, é o elemento da natureza mais usado por todos os povos para simbolizar a transformação.

Durante a festa as crianças carregam suas lanternas passeando pelas áreas abertas da escola simbolizando essa luz interior: o fogo divino e transformador que todo o ser humano tem dentro de si, Trilhar esse caminho é uma prova de coragem, e a lanterna acessa é um estímulo que pode ajudar os pequeninos. Caminhando juntos, todos cantam canções folclóricas que nos falam sobre o homem, sobre a natureza, sobre o céu e a Terra e suas relações.

É dever tarefa dos adultos, pais e professores, vivenciar a Festa da Lanterna com plena consciência trazendo as crianças, com veneração, os sentimentos belos, bons e verdadeiros pertinentes a essa época do ano.

 

Fonte: http://www.alecrimdourado.com.br.

Texto escrito por Sônia Maria Ruella (revisitado e adaptado por Maria de Fátima Cardoso)

 

 

Alfabetização precoce é perda de tempo

Para acontecer com sucesso, a alfabetização deve esperar que etapas anteriores estejam muito bem construídas e assimiladas.

Passamos tanto tempo recebendo e transmitindo informações por meio da linguagem escrita que ela nos parece quase tão espontânea quanto a comunicação oral. No entanto, não há nada de natural na leitura. Não existe no cérebro nenhuma sequer região especialmente dedicada à decodificação de símbolos que representem palavras. Trata-se de uma habilidade tão complexa que o cérebro precisa se adaptar a ela, criando um circuito neural que envolve diversas áreas – visual, auditiva e de linguagem.

A maioria de nós esqueceu como foi lento e trabalhoso o processo de aquisição da capacidade de leitura. O fato é que essa transformação no cérebro não acontece e nem pode acontecer de uma hora para outra. É um trabalho em etapas que, por ansiedade dos pais e como consequência inesperada da incorporação do antigo pré ao sistema básico de ensino, em 2004, vem sendo antecipado por muitas instituições de ensino no Brasil.

Não seria lógico concluir que, por se tratar de algo complexo, a linguagem escrita deveria começar a ser ensinada o quanto antes? Sim e não: se considerarmos que o contato com os livros, as brincadeiras de consciência fonológica, as histórias e as rimas recitadas e cantadas estão formando conexões no cérebro que serão importantes para a aquisição da capacidade de ler, esse processo deve sim começar cedo. Já a alfabetização propriamente dita, para acontecer com sucesso, deve esperar que etapas anteriores estejam muito bem construídas e assimiladas. No entanto, grande parte das escolas e muitos pais esperam que as crianças cheguem ao segundo ano sabendo ler e escrever. Neste nível, a maioria dos alunos tem entre cinco e seis anos de idade – fase em que não estão neurologicamente prontos para começar a ler. Algumas áreas do cérebro envolvidas na leitura, como o giro angular, não estão suficientemente desenvolvidas para que a decodificação faça algum sentido.

Muitas crianças memorizam letras ou mesmo sílabas, reproduzem palavras inteiras e escrevem seu nome por volta dos quatro anos de idade – o que não significa que isso tudo esteja sendo compreendido por elas. Na verdade, nessa idade elas têm uma memória excelente, mas geralmente não estão maduras para entender a linguagem escrita.

Estudos mostram que essa maturidade geralmente ocorre entre seis de sete anos, quando acontece o que o neurocientista cognitivo Stanislas Dehaene chama de “revolução mental” em seu livro Os Neurônios da Leitura (Penso Editora). É quando a criança começa a perceber que a palavra pode ser quebrada em diferentes fonemas. No entanto, nenhum cérebro é igual ao outro, e sempre haverá variações na facilidade com que cada um se familiariza com a linguagem escrita, o que traz à escola o desafio de conhecer e respeitar o ritmo dos alunos.

Antes de estabelecer a chamada consciência fonológica, portanto, forçar a alfabetização é perda de tempo. Um tempo que pode ser muito bem aproveitado, pois crianças em idade pré-escolar estão em pleno desenvolvimento de sua consciência metalinguística e ampliando diariamente seu vocabulário. Estudos mostram que, aos três anos de idade, elas ganham a capacidade de absorver a quantidade impressionante de até 20 palavras novas por dia, enquanto assimilam naturalmente complexas regras gramaticais.

Em vez de forçar um cérebro ainda imaturo a relacionar letras a sons, poderiam estar exercitando a linguagem oral e suas habilidades metalinguísticas e, assim, familiarizando-se com a complexidade das construções sintáticas que seu idioma oferece. Muito mais importante que começar cedo é relacionar a leitura a algo agradável e prazeroso e não a um desafio penoso. Para isso, é necessário que pais e educadores respeitem o ritmo e a maturidade de criança para então iniciar a alfabetização.

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texto:Michele Müller ;é jornalista com especialização em neurociências e neuropsicologia. Escreve para publicações nacionais das áreas de saúde mental e psicologia. Pesquisa e desenvolve estratégias de fluência na leitura e compreensão de textos.

Resiliência – Crianças

DICAS PARA PROMOVER A RESILIÊNCIA NAS CRIANÇAS

A resiliência é um conjunto de fatores internos nos quais a pessoa se sustenta para enfrentar e crescer diante das adversidades da vida. Uma pessoa que enfrenta uma situação muito difícil como a perda de alguém próximo ou uma experiência de violência e sai dessa experiência fortalecida é considerada uma pessoa resiliente. No entanto, atualmente a concepção de resiliência está sendo ampliada. Isso porque vivemos em mundo que nos submete a um contexto adverso a todo o momento, com um ritmo muito acelerado e com um número de tarefas cada vez maiores para serem cumpridas. Assim, para que seja possível nesse contexto, reconhecer e atender as suas próprias necessidades e prosseguir com o seu processo de crescimento sem sucumbir aos efeitos do estresse é importante que as pessoas possam localizar dentro de si as características que promovem a resiliência e possam ajudar seus filhos nesse processo.
As características das pessoas resilientes são promovidas por alguns cuidados que podem ser oferecidos desde os primeiros anos de vida da criança. No começo da vida, o cuidado que promove a resiliência é a relação de amor e confiança que os pais constroem com seus filhos. A criança confia em alguém quando ela recorre a essa pessoa nos momentos em que se sente triste, com raiva, ou com medo, por exemplo, e ao contar o que sente, essa pessoa é capaz de compreender a sua experiência e ajudá-la a se acalmar. Na medida em que essas experiências se repetem ao longo do tempo, a criança percebe que o mal estar que experimenta nessas ocasiões é passageiro e que ela pode agir (pedindo ajuda para viver seus sentimentos na companhia de alguém) para voltar a se sentir bem. Essas experiências além de evitarem que a criança fique isolada com seus sentimentos, também representam a base para o desenvolvimento de algumas características encontradas em pessoas resilientes, como: a autoestima (ela se sente amada, na medida em que percebe que os seus pais estão preocupados em ajudá-la), a estabilidade emocional (não fica tomada pelos seus sentimentos quando percebe que é capaz de assumir o controle e agir para voltar a se sentir bem) e a esperança (a criança percebe que o mal estar não dura para sempre!).
Além disso, outra característica das pessoas resilientes é a capacidade de refletir sobre as suas experiências, o que é fundamental para que se possa atribuir um sentido para o próprio sofrimento ou para que não se perca o contato com os próprios sentimentos e pensamentos nos momentos em que se tem um excesso de tarefas a serem cumpridas. A capacidade de reflexão também pode ser incentivada pelos pais durante a infância e a melhor maneira de fazer isso é por meio do diálogo. Nesse sentido, é muito positivo quando os pais criam o hábito de sentar ao lado dos seus filhos durante alguns minutos por dia, mesmo que seja para assistirem televisão juntos ou jogar um jogo e aproveitam esses momentos para perguntar não só o que a criança fez durante o dia, mas também como se sentiu e o que pensou durante os acontecimentos que ela escolheu compartilhar. Com o tempo, a criança adquire a habilidade de estabelecer esse dialogo consigo mesma e pode manter o contato com seus sentimentos e opiniões mesmo quando precisa enfrentar um ritmo mais acelerado de atividades.
A resiliência também se sustenta na possibilidade da pessoa reconhecer e confiar nas suas próprias habilidades e características. Por isso, ajudar a criança a se conhecer é um cuidado precioso que irá fortalecer o seu autoconhecimento, a sua autoestima e autoconfiança para que ela possa confiar que é capaz de enfrentar as situações difíceis que a vida lhe impõe. Para tanto, é importante que os pais se mantenham sensíveis em relação à criança para reconhecer o que ela faz que desperta a sua atenção. Quando isso acontece, é preciso que eles contem para a criança o que perceberam. Por exemplo, se ela beija e abraça os pais com espontaneidade e os pais contam para a criança o quanto ela é carinhosa. Ou se a criança começa a arrumar seus brinquedos depois de usá-los e os pais comentam como ela é organizada, com o tempo, a criança pode ir se apropriando e reconhecendo em si essas habilidades e características e recorrer a esses recursos sempre que precisar.
Se de um lado podemos cuidar para que as crianças fiquem menos vulneráveis a situações nos quais os riscos são previsíveis e não se envolvam em um excesso de atividades para tentar amenizar os efeitos do estresse. Por outro lado, não há como protegê-las completamente dos riscos e das inúmeras dificuldades que a vida apresenta a todas as pessoas. Os riscos e as dificuldades são inerentes à vida e o melhor que podemos fazer é educar as crianças para que sejam resilientes e possam fazer uso dessas situações para acumular sabedoria e experiência.

Fonte Carla Poppa

 

Dividindo o olhar de um Pai sobre o Dia do Acampamento em Homenagem ao Dia dos Pais.

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Boa noite queridos seguidores do blog Agora tá valendo,

Hoje é o papi Kenji quem vai deixar um depoimento sobre uma experiência que tive neste final de semana. Como todos os seguidores do blog já sabem, o Vicente começou ir para a escola e, para comemorar o dia dos país, ao invés das festas mais tradicionais, a escola organizou um acampamento como de costume.

Estava super ansioso para chegar o dia do acampamento, estava em São Paulo trabalhando, então não consegui organizar os preparativos do grande dia, a sorte que Vince e papi temos a mamãe Mari, poxa, quem conhece tá ligado!!! O mulé que gosta de uns paranuês [lê-se: festas/chá de fralda, noiva, grávida, todos os chás na verdade/aniversários], qualquer babado ela tá dentro.

Mamãe Mari e vovó Bibi correram atrás de tudo que seria necessário para o acampamento, barraca, colchão, cobertor, travesseiro, roupinhas, mala do Vince com fralda, mamadeira, roupas extras, bla, bla, bla, livro, lanterna e mais umas coisinhas, até um chocolate (e uma cartinha) pra mim, caso houvesse uma crise hipoglicêmica à noite.

O acampamento seria no sábado, graças a Deus a previsão para o dia era muito boa e, para quinta e sexta eram péssimos para meu trabalho, chuva e vento. Eu sou fotógrafo e dependia de tempo bom para realizar as fotos, então, na quinta mesmo me mandei para Botucatu, fazia 15 dias que estava longe da minha família, estava morrendo de saudades deles, e faria o que fosse preciso para participar desse primeiro momento com o Vince, os Deuses atenderam meu pedido, hahahahaha.

Quinta e sexta eu aproveitei o máximo com os dois, Vince e mamãe Mari.

Na manhã do sábado, dia do acampamento, nós acordamos cedo para fazer a compra da escola e o que faltava para o lanche que tínhamos que levar à noite. O plano era o seguinte, às 16 horas a família ia pra escola, montava a barraca e ia embora, às 18 voltava para o acampamento apenas pai e filhos [lê-se: filho, filha, filhos, filhas e filhos e filhas] hahahaha.

Então foi o seguinte, chegamos às 16 horas como combinado, eu, Vince e mamãe montamos a barraca juntos, cada um do seu jeito hahahhahaa, foi super rápido, mas, ali já começava a saga! Voltamos para a casa da vovó Bibi e vovô Juju, e aí, então, finalmente às 18 horas apenas nós dois fomos para a escola.

Miiiiiiiinha gente, que noite, que experiência!!!! Das 18 às 21, nós corremos, comemos, subimos e descemos o escorregador umas 20 vezes, brincamos na caixa de areia, comemos amora, jaboticaba, claro, tudo das árvores da escola, jogamos gravetos na fogueira, fomos brincar com os coelhos, tudo isso com nossa lanterninha. As crianças corriam pra lá e pra cá, houveram algumas trombadas no escuro é claro, hahaah.

Teve pipoca também, as crianças foram a loucura na hora da pipoca. Foi a noite da interação, pais conversando com outros pais, crianças brincando todas juntas, confesso que não consegui conversar muito com outros pais, eu falava pra ele: Filho, você não quer brincar com seus amigos da sua classe? Mostra pro papai quem são seus amiguinhos? Ele ainda está aprendendo a dividir a companhia dos pais quando tem mais pessoas perto, mas isso faz parte!!!

Depois de toda essa bagunça ele começou a bocejar, achei que essa era a hora de fazer ele dormir, então fomos para nossa barraca, batemos nossas roupas e tênis, pois tudo estava cheio de areia, hahahahaha.

Banho? Nem pensar!!! Aqui é roots!!!

Ele levou o livro do bichonário, super dica para os papis, ficamos repetindo a parte do xexéu e hipopótamo mil vezes, hahahhah. Pouco antes de dormir ele chamou pela mamãe algumas vezes, e de dentro da barraca ouvia-se ecos de pedidos de mamães, isso me confortou, hahahahahah. Pedidos de mamães e minha cama foram ouvido pelo menos por mais uma hora, mas nesse momento Vicente já dormia.

Bom, resumindo a experiência, eu diria que foi um divisor de águas, minha relação com ele eu posso contar antes do acampamento, e depois, juro, não estou exagerando, foi intenso, foi de verdade, foi único. Sinceramente, eu me perguntei algumas vezes porque as mães não puderam participar disso, já estou arquitetando um acampamento com nós três, nem que seja no quintal de casa, vai ser válido.

Eu acho que tudo é uma questão de preposição essencial, vamos trocar o PARA pelo COM, tudo que nós fizermos COM nossos filhos, e não PARA nossos filhos, só fortalece o elo entre pai e filhos, mãe e filhos, na verdade isso serve para qualquer relacionamento, seja ele afetivo, ou não.

É isso, demorei, mais apareci.

Assinado: Papai Kenji

Bem, respondendo  a pergunta do Papai  Kenji “porque as mães não puderam participar”,  quero dizer  que neste dia  nossa intenção  é a aproximação de Pais e filhos, sabemos que muitos Pais  não tem  muito tempo  com os filhos;não como as mães, e esta foi a maneira que encontramos de proporcionar para vocês  este momento único e até ouso dizer esta  descoberta, novamente  citando o Papai Kenji que devemos trocar o “PARA pelo COM, tudo que nós fizermos COM nossos filhos, e não PARA nossos filhos, só fortalece o elo entre pai e filhos, mãe e filhos, na verdade isso serve para qualquer relacionamento, seja ele afetivo, ou não.”

E sobre ter um acampamento  para as mães, como muitas  já pediram   ou para a família como  outros  já sugeriram, posso dizer que estamos  pensando…

Mas quem sabe  este é o impulso  para  as famílias  realizarem acampamentos  sozinhas, na verdade  não é  o dormir na barraca  a diferença, mas sim  a relação que se forma com   esta atividade.

Viva  os Pais  e Filhos que tiveram momentos lindos!

Viva as Mães que mesmo “sofrendo”,  confiaram!

Viva! Viva! Viva!

Andréa Courel

Ah! Quem quiser pode encontrar vários acontecimentos desta família  que começa agora  a entrar  no mundo “escolar”de seu  filho no blog Tá Valendo, da Mariana Lopes, mulher  do Kenji  e mamãe do Vicente

Tempo livre para brincar também educa – Educação – Estadão

Tempo livre para brincar também educa

Paulo Saldaña – O Estado de S.Paulo

20 Julho 2015 | 05h 30

Brincadeiras são fundamentais para desenvolvimento e saúde das crianças, mas adultos têm colocado a diversão em segundo plano

SÃO PAULO – Brincar é coisa séria. Por meio da brincadeira – não apenas de jogos educativos ou de atividades orientadas por adultos – as crianças aprendem lições importantes, como se relacionar umas com as outras e obedecer a regras. Assim, é imprescindível que haja tempo para a diversão. Segundo especialistas, no entanto, pais ansiosos pelo sucesso dos filhos têm se esquecido ou valorizado pouco esses momentos.

Desde os anos 1940, pesquisas sobre o desenvolvimento humano já identificam o protagonismo das brincadeiras na formação das crianças, sob os aspectos cognitivos, emocionais, físicos, sociais e morais. Mais recentemente, a neurociência identificou evidências de como o cérebro recebe e processa informações e estímulos colhidos do ambiente pelos sentidos e a importância do brincar nas sinapses – ligação entre neurônios.

Experiência. Giovanni, de 4 anos, diverte-se com uma máquina de escrever no espaço Mamusca, em São Paulo, onde os pais levam crianças para brincar

Experiência. Giovanni, de 4 anos, diverte-se com uma máquina de escrever no espaço Mamusca, em São Paulo, onde os pais levam crianças para brincar

“Os neurocientistas mostraram que os afetos positivos na interação da criança com o adulto geram sentimentos de segurança e prazer, fatores imprescindíveis para a saúde mental”, explica a educadora Adriana Friedmann, em um estudo encomendado pela Bauducco para basear um movimento chamado Amigo ‘KID V!D’, inspirado em um biscoito feito para dividir com o coleguinha.

Pesquisadora do tema, Adriana afirma que a ansiedade excessiva dos adultos acaba deixando em segundo plano as necessidades dos pequenos. “A gente não tem realmente respeitado o ritmo das crianças. Tudo precisa ter equilíbrio.”

Alguns pecadilhos são comuns no dia a dia. Por exemplo: quando o pai apressado ou o professor interrompe uma brincadeira abruptamente, desmontando um mundo, uma linguagem que estavam sendo construídos. Ou ainda o adulto que intervém sem necessidade enquanto a criança brinca sozinha, o que é natural entre os mais novos.

“Os pais podem ser bons observadores das ações e interações infantis, sabedores que, ao brincar, a criança está talhando sua visão de mundo”, afirma a professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP) Zilma Oliveira.

A educadora alerta que, muitas vezes, a escolas também falham. “Nas escolas, predomina a ideia do ensino centrado no professor e as brincadeiras livres costumam ser vistas como lazer, ignorando seu valor na promoção de importantes aprendizagens, ainda que fora do menu pedagógico.”

Para os pais. Coordenadora pedagógica da Escola Stance Dual, de São Paulo, Liliane Gomes conta que é necessário investir no diálogo com os pais para que eles entendam a importância das atividades livres. Na unidade, os alunos costumam ter três momentos ao longo do dia em que ficam livres.

“Principalmente em relação às crianças de 5 anos, os pais ficam muito ansiosos de que eles estejam lendo e escrevendo. Precisamos de reuniões extras para que eles diminuam essa ansiedade”, explica Liliane. “Quando elas brincam, aprendem a resolver os problemas. E essa é a meta da vida.”

Até mesmo fora do ambiente escolar, a pressão por resultados do brincar é sentida. A pedagoga Paula Kesselman coordena o espaço Mamusca, na zona oeste da capital paulista, onde pais levam seus filhos para brincar. “Tivemos dificuldade no começo porque muitos pais nos perguntavam: ‘Eles vão ficar soltos assim?'”

O Mamusca mantém educadores observando ou sugerindo brincadeiras, histórias, além de oficinas – que não têm horário definido. O espaço abriu ainda a Escola de Pais, para aproximar os adultos do livre brincar.

Enquanto era amarrado em uma brincadeira pelo filho Giovanni e pela amiguinha Julie, ambos de 4 anos, o engenheiro João Arantes, de 50 anos, disse que sabia a importância do brincar. “Em casa, a gente faz laboratório de desenho e de massinha. A gente se diverte muito”, afirmou o professor universitário. “Quero que ele tenha autonomia para decidir.”